Gerenciamento de risco: maturidade e transformação cultural
Genésio Korbes
Com o advento das certificações de qualidade nos serviços de saúde e instituições hospitalares, a discussão sobre a segurança da assistência ganhou mais destaque e maior abrangência. O debate evoluiu, resultando na consolidação do conceito de gerenciamento de risco, hoje, mais do que nunca, prática obrigatória nos hospitais.
O risco, no ambiente hospitalar, é a probabilidade de perigo ao paciente e ao profissional de saúde ou funcionário das áreas operacionais e administrativas da instituição. Fazer o gerenciamento de risco é acompanhar e, quando possível, eliminar os riscos gerados pela estrutura e pela assistência prestada no hospital. Gerenciar o risco é não somente quantificar a ocorrência de situações adversas, mas também implementar medidas preventivas e curativas para eliminar o risco.
O principal objetivo da política de gerenciamento de risco é monitorar a assertividade do trabalho utilizando como parâmetro a possibilidade ou ocorrência de tais situações adversas, que são muitas, como: erro na administração de medicamentos, extravasamento de quimioterápico, úlcera por pressão, acidente de trabalho, infecção hospitalar, dentre várias outras.
Não se trata de uma “caça às bruxas”, de buscar culpados para as situações de risco. Pelo contrário, o foco está na melhoria da qualidade e da segurança da assistência, que só poderá ser obtida através do esforço conjunto do corpo clínico e da equipe multiprofissional. Muitas ações contribuem para o bom gerenciamento de risco e, dentre elas, destaca-se a instalação e execução consciente de um bom sistema de gerenciamento de não-conformidades e também a educação continuada.
A prática pode gerar temor ou insegurança entre os colaboradores do hospital ou serviço de saúde. Afinal, teme-se que o envolvimento em uma situação adversa gere represália ou mesmo comprometa a permanência do profissional na instituição. Daí a importância de fazer da política de gerenciamento de risco uma oportunidade de transformação cultural.
É preciso envolver as equipes para que se disponham a efetivamente aumentar a segurança do serviço de saúde. Qualquer temor é minimizado quando, por exemplo, o bom gerenciamento de risco é destacado pelas entidades certificadoras quando o hospital conquista uma certificação da qualidade. Já vivenciei esta experiência algumas vezes e digo isso com conhecimento de causa.
Mais uma vez, é preciso destacar o papel do líder. Os gestores devem detectar as oportunidades e buscar recursos para a capacitação, treinamento e desenvolvimento de seus times. Cada colaborador deve estar ciente da importância de notificar o erro ou situação adversa imediatamente. E isso por várias razões; afinal, a ocorrência de determinado risco pode, em alguns casos, ser letal. A subnotificação pode e provavelmente irá existir – mas precisa ser eliminada.
Há uma série de iniciativas setoriais de incentivo à execução do gerenciamento de risco. Em 2006, o Instituto for Healthcare Improvement, nos EUA, lançou a Campanha Protegendo 5 Milhões de Vidas, visando proteger os pacientes dos incidentes e danos causados na assistência. No mesmo ano, o Instituto Qualisa de Gestão (IQG) criou a Rede de Notificação de Eventos Ocorridos, um banco de boas práticas para o gerenciamento de risco. Informe-se sobre estas e outras ações e mantenha a política de gerenciamento de risco de sua instituição de saúde sempre atualizada.
Administrador Hospitalar
MBA em Gestão Empresarial
Sócio-diretor da Korbes Consulting